CHAMADA DE ARTIGOS: BRATHAIR 2020(1)

2019-07-19
A partir dos anos 1980, o denominado Linguistic Turn aportou, ao campo das Ciências Humanas e Sociais, enfoques inovadores e, por vezes, controversos. Houve, com efeito, uma necessária e muito esperada renovação em termos de valorização epistemológica da linguagem e dos imperativos linguísticos para uma compreensão coerente de temas historiográficos, sociológicos, antropológicos e filosóficos. Desde então, elevou-se nossa sensibilidade para a Linguagem, as Ciências da Linguagem e a Filosofia da Linguagem e se promoveu a exata percepção de que a linguagem e os temas linguísticos não correspondem, simplesmente, a um domínio específico dentro da moldura maior das Ciências Humanas. Como postulou Umberto Eco em seu livro Tratado Geral de Semiótica (1975), trata-se, muito mais, de um grande campo de ciências e conhecimentos que lidam com aspectos humanos e temáticas sociais relativas a processos comunicativos. Em meio ao quadro mais amplo do Linguistic Turn, podemos apontar para um Giro Retórico (Rhetoric Turn) a partir dos anos 1990, o qual afetou fortemente os domínios da História, em especial os estudos medievais. Evidência disto pode ser atestada pelos brilhantes trabalhos do filósofo alemão Paul Oskar Kristeller (Columbia University), do historiador italiano Enrico Altifoni (Università degli Studi di Torino), do historiador estadunidense Ronald Witt (Duke University) e dos historiadores franceses Benoît Grévin (Université de Paris 1 Panthéon Sorbonne) e Clémence Revest (Centre National de la Recherche Scientifique). Suas pesquisas, largamente baseadas na Itália, mas em uma perspectiva europeia, têm combinado métodos tradicionalmente usados na História Literária, da Linguística e na Diplomática a questões e reflexões propriamente históricas. Para além de sua especificidade regional, seus resultados permitiram formular novas questões, aptas a colocar diferentes aspectos da História Medieval sob novo enfoque. Quais eram os sistemas comunicativos das instituições políticas durante a Idade Média? Como era possível às pessoas entender uma à outra a partir de regiões tão distantes do ponto de vista cultural? Quais os modelos que permitiam tal sucesso comunicativo? Quais os canais e ferramentas para disseminar e homogeneizar esses modelos? Gostaríamos de convidar nossos colegas pesquisadores a contribuir com artigos direcionados a discutir os potenciais enfoques e novos caminhos abertos pelos estudos retóricos, para aprofundar nossos conhecimentos e permitir-nos explores novos temas e métodos no campo dos Estudos Medievais. Dario Internullo Marcus Baccega. PRAZO: 31.12.2019 ENVIO: dario.internullo@virgilio.it marcusbaccega@uol.com.br Temas sugeridos: - Historiografia sobre o Rhetoric Turn; - Discursos medievais acerca da Retórica; - Retórica e Política; - Retórica e escritos literários; - Retórica e produção documental; - Ars dictandi e summae dictaminis; - Ensino de Retórica: atores, sistemas, técnicas; - Sistemas comunicativos medievais; - Identidade, Retórica e grupos sociais; - Comunicação transcultural.