2021.1: Dossiê: Ensino de História: Antiga e Medieval

2020-08-05
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Este número da revista Brathair se propõe a explorar os diversos percursos pelos quais as histórias antigas e medievais podem contribuir para este grande desafio brasileiro de educar o povo. O simples recurso à tradição, à erudição, já não mais dá conta da manutenção de qualquer conteúdo específico na grade curricular – agora mais que nunca, o currículo se tornou um cabo de guerra entre os mais diversos assuntos e temáticas, perspectivas e tempos históricos. Assim sendo, é fundamental que os profissionais de História estejam conscientes de que suas aulas e produções precisam dialogar com o tempo vivido no qual eles e seus alunos se inserem. A Ilíada pode ser estudada apenas por ser um marco cultural do ocidente, mas é igualmente possível (até mais, desejável) que seus elementos sociais, políticos, econômicos, religiosos, etc., assim como os estéticos, sejam refletidos em sala de aula, buscando nos corações e nas mentes dos educandos ecos e ribombares daquele passado distante, mas que, de repente, pode mais e mais se aproximar. O mesmo pode e deve ocorrer com todos os demais assuntos, apresentados em linguagens diversas e com atenção às particularidades que as gerações já nascidas em pleno século XXI exigem de seus educadores. História é “inquietação, angústia existencial” (H. I. Marrou), “reencenação de pensamento passado “ (R. G. Collingwood), “arqueologia do indivíduo” (J. Cauvin), e a contribuição que as histórias antigas e medievais têm a dar para esses processos não é, de modo algum, desprezível.