ATENÇÃO

O prazo de submissões para o Dossiê: "Ações para o Letramento" foi prorrogado até 31/10/2019. 

Organizadores do dossiê:

Profª. Drª Lúcia Peixoto Cherem (UFPR e Associação Ler.com*) e Profº. Me. Eduardo Nadalin (UFPR e Associação Ler.com)

 

Segundo a 4ª. edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, os brasileiros, em seu tempo livre, continuam preferindo a TV (73%) ou a internet (47%) à leitura (24%). Outro dado relevante, que já aparecia na pesquisa de 2011, revela que onde mais se lê é na escola; com o fim dos estudos, os índices caem. Por isso, se não melhorarmos a qualidade da leitura na escola, esse leitor “escolar” tem grandes chances de se tornar um não-leitor.

Diante disso, pesquisadores, professores, educadores e estudantes de várias áreas reuniram-se, em 2008, em torno de uma iniciativa denominada Ação Integrada para o Letramento, realizada na Universidade Federal do Paraná, em parceria com as Secretarias de Educação, municipal e estadual, UNICAMP e a Associação Francesa pela Leitura (AFL).

As pesquisas realizadas no âmbito dessa ação revelam pistas interessantes sobre problemas de leitura encontrados na escola, pública e particular, em todos os níveis de ensino, e que têm a ver com o fato de que a escola, ao privilegiar um ensino de leitura baseado na decodificação, acaba promovendo uma leitura linear. E mais, essa prática sistemática reduz a atividade de leitura a uma busca por informações pontuais. Ler, porém, é também buscar compreender o ponto de vista daquele que organiza o texto, utilizando-se, sim, de informações, mas de maneiras específicas, para tentar construir uma visão sobre algum fato do mundo.

A informação, então, nunca é neutra, mas aparece no texto a serviço de um modo de pensar, e ler significa, também, ser capaz de perceber esse processo. Por outro lado, apenas uma concepção abstrata de língua não serve para se entrar efetivamente no mundo da escrita. Para isso, é necessário lermos textos que circulam no meio social, desde o início da aprendizagem. Acreditamos que é possível fazer isso por meio de um trabalho com a leitura pela via direta.

Essa maneira de abordar os textos não prevê ensinar a língua como um apetrecho anterior, para depois enfrentar a leitura de um texto. A língua da escrita está nos textos e é entrando em contato com eles, de forma cuidadosa e bem trabalhada, que vamos aprendendo e ensinando a ler. Só se aprende a ler, lendo, o que parece óbvio, ainda que difícil, às vezes, de pôr em prática.

Outra questão importante a se considerar aqui é o papel do texto literário, cujo trabalho com a linguagem muitas vezes se aproxima mais de uma aventura do que de uma tentativa de formulação consciente de um ponto de vista, e que pode tocar o leitor de forma especial, levando-o a sentir a necessidade de se expressar. Por isso, ao explorar textos literários, as leituras coletivas e as mediações de leitura têm grande importância, como já propunha Paulo Freire.  

Com base nessa breve exposição, convidamos a contribuírem para o dossiê Ações para o letramento todas as pessoas preocupadas com as questões aqui levantadas e que estejam envolvidas em ações (pesquisas, projetos, trabalhos) em torno da leitura e da escrita, sem dissociar teoria e prática, e que visem à melhora da capacidade leitora e à inserção no mundo da escrita.

 

Além do dossiê temático, a revista também aceita artigos, resenhas e entrevistas nas áreas de Linguística e Literatura para compor a sua seção de temática livre.