MASCULINIDADES E FEMINILIDADES NOS MANUAIS ESCOLARES DO ENSINO FUNDAMENTAL EM MOÇAMBIQUE

Autores

  • Juvêncio Manuel Nota Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
  • Graziela Raupp Instituto Federal de Santa Catarina

DOI:

https://doi.org/10.18817/pef.v27i1.2951

Resumo

O presente artigo busca analisar as representações de gênero nos livros escolares dos 3º, 5º e 7º anos do Ensino Primário em Moçambique, equivalente ao Ensino Fundamental no Brasil Objetiva-se incentivar a promoção da igualdade de gênero nas escolas, analisando, para tal: i) a forma como o masculino e feminino são representados por meio de gravuras; ii) o discursivo linguístico (textual) engendrado em torno dessas imagens e aos papéis de homens e mulheres nos livros escolares. A análise qualitativa demonstra que os manuais escolares veiculam dois mundos distintos com base nas identidades de gênero numa matriz binária: um “doméstico associado à mulher ou a profissões em que seu papel de cuidadora é enfatizado” e um mais “técnico-profissional” reservado ao masculino, ao homem, no qual se enfatiza a sua força bruta para desempenhar tais papéis/profissões. Disso conclui-se que, apesar dos discursos pró-igualdade de gênero constante dos livros analisados, a representação imagética e linguístico-discursiva sobre das mulheres e homens ainda é bastante preconceituosa e estereotipada, visando a reprodução das desigualdades entre mulheres e homens. Enquanto artefatos culturais produzidos em contextos fortemente patriarcais os livros analisados pouco apresentam e/ou falam da mulher emancipada em actividades/profissões idênticas à dos homens, antes, pelo contrário, eles reproduzem os estereótipos e as hierarquias de gênero vigentes na sociedade tradicional moçambicana mais ampla, naturalizando a domesticidade como parte da identidade feminina. Por fim, considera-se que, nos livros escolares, há uma reprodução explícita da masculinidade hegemônica.

 

Palavras-chave: Masculinidades, Feminilidades, Gênero, Livros Escolares, Ensino Primário

Biografia do Autor

Juvêncio Manuel Nota, Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique

Doutor em Estudos de Gênero pela Universidade de Uppsala, Suécia. Docente na Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique.

Graziela Raupp, Instituto Federal de Santa Catarina

Doutora em Educação pela Universidade de Aveiro, Portugal. Docente do Instituto Federal de Santa Catarina

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Publicado

2022-08-24