CHAMADA DE ARTIGOS: BRATHAIR 2018(2)

Podemos utilizar conceitos tão atuais como “Centro” e “Periferia” para a Idade Média sem incorrermos em anacronismo? Acreditamos que sim. Destacamos, entre outras possibilidades, abordagens que enfatizem a relação de fronteira e dependência, tão típica do fenômeno do capitalismo. Também valorizamos a correlação entre os espaços da urbs e do ager – ou reflexões que valorizem aspectos identitários, complementares, representativos, que nos levem a pensar a condição periférica de forma móvel, dinâmica e criativa.
Defendemos que contribuições recentes, conceituais, teóricas e metodológicas, permitem um redimensionamento da relevância dos centros e das periferias na análise histórica. Para além de uma visão econômica, tais contribuições enriquecem os estudos sobre construção sociocultural de identidades e representações sociais – como estabelecidos e outsiders – em disputas conservadoras ou progressistas. Enfatizamos o papel destas contribuições no campo religioso, na arte, na arquitetura.
Ao atentar para a relação entre centro-periferia no medievo, a proposta deste dossiê é contestar a percepção desta dualidade nos primeiros estudos históricos dedicados à temática. Isto será feito através da análise dos aspectos relacionais e das construções decorrentes do antagonismo ou assimilação representados. Nos interessa colocar em perspectiva referências como cultura popular e erudita poder das elites e resistências populares, hereges e ortodoxos, cristãos e pagãos, judeus e/ou muçulmanos, dentre outras.
O objetivo é vislumbrar como seus aspectos formativos e discursos relacionais fazem parte de um constructo social imaginário que, pela identificação, apontam para diversas elaborações e estratégias sociais.

Organizadores:
Paulo Duarte Silva – Doutor – UFRJ
Rodrigo dos Santos Rainha – Doutor – UERJ e UNESA

Dedline: 20 de dezembro de 2018