Morrer pelo quê? Fugir de quê? O abandono do mundo como forma de combate entre os primeiros monges-eremitas Cartuxos

  • Gabriel Castanho Instituto de História / Programa de Pós-Graduação em História Social Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
Palavras-chave: Idade Média Central, Cartuxos, Cultura da Morte

Resumo

O presente ensaio pretende apresentar de forma sintética alguns dos principais elementos da lógica beligerante monástica no ocidente medieval. Tomando o combate às influências corporais como uma das marcas principais desta forma de ascetismo cristão, pretende-se abordar a questão da morte do corpo em sua dimensão cultural. Para tanto, o ensaio centra-se em um estudo de caso preciso: os monges-eremitas da Grande Cartuxa na primeira metade do século XII. Primeiramente será abordada a constituição do pensamento belicista e espiritual do mais importante prior cartuxo da época, Guigo Io. Em seguida, ainda centrando-se neste autor, o ensaio procurará traçar como os religiosos pretendiam, na prática, resistir aos ataques maléficos da carne em dois momentos capitais: a doença e a morte. Ao final, espera-se ter demonstrado, de maneira geral, o papel da lógica espiritual para o estudo do “matar e morrer na Idade Média” e de modo mais específico, o modo como os primeiros cartuxos estruturaram sua vocação religiosa entre “correr e fugir ou ficar e lutar”, marca de sua forma de guerra espiritual e de sua gestão da morte.
Publicado
2017-10-10
Seção
Dossiê: Matar e morrer na Idade Média