CASTANHAIS E A RELAÇÃO QUILOMBO-NATUREZA: PARADOXOS DA GOVERNANÇA AMBIENTAL EM TERRITÓRIOS VIVOS
DOI:
https://doi.org/10.29327/2511069.4.1-4Resumo
Este artigo investiga os paradoxos da governança ambiental em territórios quilombolas no Alto Rio Trombetas, Pará, com foco nas práticas tradicionais de manejo dos castanhais (Bertholletia excelsa). A criação da Reserva Biológica do Rio Trombetas (RBRT) e outras políticas conservacionistas têm imposto restrições que comprometem a autonomia quilombola e desconsideram práticas sustentáveis, historicamente desenvolvidas. Com base na teoria do biopoder de Michel Foucault, o estudo analisa como dispositivos estatais de controle desautorizam saberes locais e geram conflitos socioeconômicos. A pesquisa, de caráter qualitativo, combina métodos etnográficos e análise documental para compreender as estratégias de resistência das comunidades quilombolas diante das pressões exercidas por políticas ambientais e atividades econômicas, como a mineração. O artigo propõe alternativas para uma governança ambiental mais equitativa, que reconheça os quilombolas como protagonistas na gestão territorial, promovendo a integração de saberes tradicionais e diretrizes globais de justiça climática e preservação da biodiversidade.