A AUSÊNCIA: DESAFIOS DE UMA CONSTRUÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.29327/2511069.4.1-12Palavras-chave:
identidade, ancestralidade, espirutalidade, apagamentoResumo
As palavras presentes neste trabalho, a partir de diálogos, memórias e confissões, depoimentos de minha tia-avó e minha avó, é uma tentativa de (re)encontro com minhas ancestrais, simultaneamente em que me posiciono entre elas, as observo, enquanto almejo me perceber nelas, o que não acontece plenamente, já que somos diferentes, em classe, sexualidade, noções de raça, percepções. A presença de duas mulheres racializadas que não se enxergam como tal, que apagaram suas identidades em prol de um acolhimento que nunca veio, transformou-se por muitos anos em ausência da consciência-de si, como já enunciado por Frantz Fanon (2020[1952]), gerando empecilhos e apagamentos na construção identitária da geração que se seguiu. Ao ir ao encontro da questão racial me deparei também com o apagamento de uma espiritualidade ancestral latente, questão que também foi problematizada. Esse trabalho nasceu, não só, da incessante procura por pertencimento, mas também do anseio de valorização das “raízes” racializadas em uma família marcada pela negação destas.