LIBERDADE E ENCLAUSURAMENTO NA HERANÇA ESCRAVAGISTA RETRATADA EM BELOVED DE TONI MORRISON

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18817/rlj.v9i2.4393

Resumo

Em Beloved, as pessoas permanecem aprisionadas em lembranças do passado que as impedem de perceber outras formas de viver. Para Morrison (1998), a herança escravagista não se limita ao ônus socioeconômico, baseado no trabalho forçado sob um regime desumano. O maior ônus, segundo a autora, reside no enclausuramento psicológico, quando se reviram as chagas do passado. De fato, as violações do corpo feminino, a perda de dignidade e o tratamento animalesco deixam sequelas irremediáveis e cicatrizes psicológicas profundas que perpassam gerações. Para Morrison (2019), a capacidade reprodutiva da mulher negra era uma forma crítica de capital social e econômica, já que as mulheres eram forçadas a procriar para aumentar a mão de obra escravagista. A esse respeito, faz-se necessário indagar se a mulher afro-americana não herdou o ônus da escravidão, já que é diretamente prejudicada pelas políticas, práticas e crenças, que continuam, até hoje, oprimindo-as. Não se pode ignorar o legado hediondo de um racismo institucional que, segundo Burnham (1987), consiste em uma personalidade nacional destorcida e uma consciência de cor perversa presente em cada parte de nossa vida.

Biografia do Autor

Michel Emmanuel Félix François, Universidade Federal do Ceará

Graduação em Letras Inglês Português pela Universidade Estadual do Ceará.  Mestre em Lingüística Aplicada pela Universidade Estadual do Ceará. Doutor em Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina. Experiência na área de Letras, Tradução, com ênfase em Literaturas Estrangeiras Modernas. Professor da Universidade Federal do Ceará.

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Publicado

2025-12-30

Como Citar

MICHEL EMMANUEL FÉLIX FRANÇOIS. LIBERDADE E ENCLAUSURAMENTO NA HERANÇA ESCRAVAGISTA RETRATADA EM BELOVED DE TONI MORRISON. REVISTA DE LETRAS - JUÇARA, [S. l.], v. 9, n. 2, p. 91–103, 2025. DOI: 10.18817/rlj.v9i2.4393. Disponível em: https://ppg.revistas.uema.br/index.php/jucara/article/view/4393. Acesso em: 7 jan. 2026.