Chamada V03 N01

Dossiê Temático: O universo literário infantojuvenil: teoria, crítica e recepção

Organizadores do dossiê: Profª. Drª Rita Aparecida Coelho Santos (UEB- Cátedra Fidelino de Figueiredo) e Profº. Me. Kelio Junior Santana Borges (IFG)

O que hoje entendemos como Literatura Infantojuvenil distancia-se muito daquilo que outrora era lido por crianças e adolescentes, pois, no passado, existia uma antiga e parcimoniosa concepção de indivíduo infante, segundo a qual ele seria um adulto em miniatura, realidade que nos obriga a também promover uma discussão de caráter identitário, pois: “A história da literatura infantil está atrelada à história da própria concepção de infância e os primeiros livros para crianças foram produzidos somente no final do séc. XVII e durante o séc. XVIII, antes disso não se escrevia para crianças, pois não existia o que chamamos hoje de ‘infância’; as crianças e os adultos compartilhavam dos mesmos eventos sociais (PERES; MARINHEIRO; MOURA, 2012, p. 02  ). Antes da concepção do que era a infância e mesmo um tempo depois de sua “descoberta”, a literatura voltada para o público infantojuvenil tendia a possuir dois traços específicos, isto é, nesse contexto sócio-histórico, “o livro não é necessariamente escolar, porque contém ‘histórias morais’; mas também lida com conteúdos típicos de disciplinas curriculares (geografia, cronologia, história de Portugal e história natural)” (ZILBERMAN, 2016, p. 24). Pouco tempo depois, já existindo uma vertente voltada para o universo infantil, o obstáculo foi superar uma visão rasteira sobre esses textos que, quando comparados à escrita dirigida a adultos, eram considerados inferiores, um espécie de  pouca literatura. Esse tempo passou. Tanto a criança quanto os livros a ela destinados assumiram novos valores dentro dos estudos literários assim como dentro do próprio mercado consumidor de livros, alcançando valor e espaço merecidos. Hoje a terminologia Literatura Infantojuvenil designa um dos nossos mais ricos filões da produção editorial no Brasil e no exterior, reunindo uma gama de profissionais de diferentes áreas envolvidos numa produção que cresce e se especializa cada vez mais. Sobre a produção nacional, Maria Zaira Turchi diz que: “A literatura juvenil brasileira, nas últimas décadas, alcançou expressiva representatividade em autores reconhecidos e premiados, em títulos publicados e em número de exemplares vendidos. No contexto atual de produção e circulação de livros, esse gênero vem se colocando como um fenômeno da indústria cultural ao lado de produtos que visam a atrair o interesse dos jovens. Daí a importância de a crítica literária realizar investigações permanentes sobre esse subsistema literário, na busca de compreender suas especificidades, que lidam com aspectos transicionais e transitórios e que oscilam entre as fronteiras da intencionalidade e do valor estético” (TURCHI, 2016, p. 83).

Considerando a importância dessa vertente literária, buscamos nos debruçar sobre o campo da produção do texto literário infantojuvenil, universo em que os escritores compartilham com outros profissionais – ilustradores e designers, por exemplo – o trabalho de elaboração e concepção de uma obra que, apesar de ser indicada ao público infantojuvenil, constitui fonte prazerosa para qualquer pessoa apreciadora da leitura. O próximo número da REVISTA DE LETRAS – JUÇARA tem o prazer de convidar pesquisadoras e pesquisadores a se juntarem a nós numa reflexão acerca da literatura infantojuvenil em seus mais variados campos e vieses. O objetivo é reunir artigos que promovam discussões teóricas e críticas relativas tanto ao caráter estético quanto à recepção do texto.  

 

Além do dossiê temático, a revista também aceita artigos, resenhas e entrevistas nas áreas de Linguística e Literatura para compor a sua seção de temática livre.

 

Prazo para envio dos textos: 15.04.2019

Previsão de publicação: julho de 2019.